Minhas leituras: Famílias invisíveis


Visibilidade necessária para pessoas que recebem invisibilidade.


Recebi em minhas mãos a coletânea Famílias Invisíveis, uma coletânea que foi organizada pela Cellos (Centro de Luta pela Livre Orientação de Minas Gerais) e que se propõe a dar voz para a população LGBT+, que é invisibilizada e calada todos os dias. E, em tempos de reflexão sobre a luta das minorias sociais, é importante a existência de uma iniciativa como essa. 

Famílias Invisíveis é daquelas leituras que nos embarcam com facilidade por suas páginas, como se nos embalasse num instante. São várias histórias que nos embalam em sua familiaridade. Podem ser ficção ou podem vir de encontro com o que nós conhecemos e vivemos. É a vida de muitas pessoas LGBT+. 

Uma das questões que talvez tenha feito falta nessa coletânea foi uma gama maior de membros da comunidade colocando suas palavras nessas páginas. Cada conto e poema tem não só o nome, a idade e a localidade da pessoa que escreveu como a orientação sexual e a identidade de gênero. E foram poucas as vezes que me deparei com algo diferente de "Homem Cisgênero Gay". Há uma possibilidade que os organizadores não tenham recebido inscrições diferentes, porém não podemos evitar aquela sensação de que alguma coisa ficou faltando. Queria muito ler algo pelo ponto de vista de uma pessoa trans. 

A maior parte dos contos e poemas nos falam de preconceito e sofrimento. Isso faz a gente pensar em quantas vezes as questões da comunidade LGBT+ acabam sendo um resumo das nossas lutas. Estamos em tempos de lutas por direitos e sobrevivência. Por poder viver e existir. 

Um dos contos que mais me satisfez foi um dos únicos que saiu desse padrão, que se chama Sobre anões e suas Brancas de Neve, que exalou sensualidade com uma boa dose de humor. 

Outro conto que me tocou e que também saiu desse padrão foi o Plateia Particular da Lorena Miyuki, que construiu a história pelo ponto de vista de um filho com seus dois pais. Uma história que conseguiu trazer personagens cativantes em poucas linhas e que trouxe uma lágrima emocionada. Gostaria de mais histórias sobre essa família linda. 

É gratificante poder participar da booktour de Famílias Invisíveis e celebrar a iniciativa dessa coletânea de visibilizar uma comunidade que já não pode ser mais invisível.

Título: Famílias Invisíveis
Organizadores:  Daniel Galvão Borges, Darlan Carling von Dollinger e Thiago Alves da Silva Costa
Publicação: 2018
Páginas: 64
Editora: Crivo editorial


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