Primeiras Impressões: Melodrama


"Uma nuance ao invés de uma dicotomia."


Muitas vezes é difícil escapar do maniqueísmo quando falamos de construção de personagens. Inclusive falo como escritora: há um impulso de se defender aquela personagem que colocamos ao centro de nossa trama, na mesma medida que colocamos naquele antagonista todas aquelas características que abominamos nos que farão o papel de antagonistas. É fácil e natural, fazendo parte da justificativa para que quem protagonista tome as decisões que tomou. 

Em nenhum momento Melodrama nos entrega situações simples ou personagens que exibem tons únicos. Pelo contrário, a complexidade observada mesmo naqueles que acabamos nos inclinando por simpatizar (ou não) são a mistura que se encontra no livro da Ana de Oliveira. Há uma honestidade no modo com que ela posiciona personagens e trama, principalmente na construção do protagonista. Ele conversa com o leitor, ciente de que seus defeitos, quebras, vulnerabilidades e afins estão expostos. Ele mesmo se expõe para nós, sem reservas. 

Justamente isso faz com que o mergulho em Melodrama se torne fácil. Você sente o convite para uma conversa (mesmo que o que está escrito ali não seja para quem está lendo, então na verdade você está xeretando). E enxergar naquele protagonista a verdade de uma pessoa que existe e parece alguém que você conhece torna tudo palpável e envolvente. 

Dizem que nunca nos esquecemos do dia em que morremos por dentro. 

Melodrama é um livro que não se poupa em falar do que precisa ser falado e isso começa com a franqueza na linguagem do protagonista, que narra tudo para nós em primeira pessoa. Pode ser que você não se acostume de cara com essa crueza expressa nas linhas desse livro, mas não há como negar: está tudo ali. E essa abertura não se limita na linguagem, abarcando a honestidade de como o protagonista aponta seus problemas com ansiedade, depressão e alcoolismo. Chega a moer por dentro o coração de quem está lendo, especialmente porque a espiral progressiva de complicações que encontramos capítulo após capítulo chega a nos tirar o ar a certa parte da história. Não é um conto de fadas ou uma história que nos aponte uma resolução mágica dos problemas. Mas é real e identificável. 

Porém, um detalhe que nunca cogitamos é que a história não acaba quando termina. Depois do final feliz há outros quinhentos. Outros tantos de história que preferimos não contar, talvez para não estragar a ideia feliz que construímos com tão pouca coisa. 

Há uma jornada intensa a se fazer em cada página de Melodrama. Uma que talvez não seja fácil de se acompanhar, mas que vai permitir uma reflexão intensa de sua parte. Uma história mais que recomendável. Uma obra que transcende as palavras escritas e fica com você, mesmo depois da última página. 

Às vezes a gente tem essa bobagem de achar que alguém é que tem que resolver alguns de nossos problemas. Eu achei que você pudesse curar as feridas que fez em mim. 

Melodrama estará disponível em breve na plataforma Wattpad e desde já recomendo que siga a Ana de Oliveira nesse link. Também aguarde que na próxima semana teremos a entrevista da autora na minha newsletter. Se quiser assinar e acompanhar, clique aqui e assine 

2 comentários:

  1. SOCORRO, CADÊ ESSE LIVRO! Quero demais! Acho que ele lembra muito o meu próprio romance, especialmente nessa coisa do protagonista não ser caracterizado como 100% mocinho/bonzinho. Tenho amado demais escrever personagens sem filtro e mais humanos, que falam ser pensar, que pensam coisas horríveis e que não têm o intuito de agradar o leitor.

    Love, Nina.

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  2. Well written post, in this post you are moving very important issues.
    Naomi

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