Recomendação: Red


Uma série sobre amor.  


2014 foi um ano determinante em minha vida em muitos aspectos. 

Foi o ano em que tive meu primeiro impulso em minha carreira como escritora, quando meu primeiro livro, Reescrevendo Sonhos, foi escrito. Foi o ano em que assumi meu cargo como professora efetiva no Estado de São Paulo. Também foi em 2014 que assisti Red pela primeira vez. 

Nesse momento eu buscava pela minha voz, que não encontrava em lugar nenhum. A voz de uma mulher não-hétero, que ainda entendia muito pouco ou quase nada dessa nova expressão de sexualidade. Eu não me achava na mídia ou na literatura. Nada me representava enquanto mulher bissexual. Não havia parâmetro ou espelho para quem eu era. Até que achei nessa série. 

Red foi meu espelho e acredito que também se tornou parâmetro para muitas mulheres como eu. Era uma identificação que falava alto ao coração. Representatividade honesta, cuidadosa e preciosa. Algo que acarinha cada pedacinho tão massacrado dentro da gente. É lindo. É intenso. É apaixonante. 

Para quem se interessa pela sinopse, vou trazer o que fiz em meu primeiro texto: 

Recebemos o convite de mergulhar nas vidas de Liz e Mel, duas atrizes que estão filmando um curta metragem que recebe o mesmo nome da série. E, principalmente, olhamos como cada uma delas encara o sentimento que começa com suas personagens – respectivamente Simone e Scarlet – e acaba por transpor a ficção e invadir suas realidades.
O interessante sobre a primeira temporada é justamente a dualidade complementar entre Liz com Simone e Mel com Scarlet. Cada intérprete tem uma personalidade oposta em relação à personagem que interpreta, o que traz uma sensação de complementaridade e espelho, tanto entre Liz e Mel como entre cada atriz e sua persona cinematográfica. A metalinguagem envolvida nesses espelhos vai trazendo camadas profundas a cada episódio, que vai nos levando pouco a pouco, até que nos encontramos apaixonadas pelas duas mulheres. 

Além disso, todo o desenvolvimento da relação de Liz e Mel (além da química de Ana Paula Lima e Luciana Bollina, que é inebriante) vem de uma forma muito honesta. Há clichês e lugares comuns, mas é justamente isso que nos dá essa sensação de preenchimento. Afinal, quantas produções que retratam o amor entre mulheres podem nos dar essa sensação de familiaridade (especialmente sem tragédias)?

Red fala sobre amor entre mulheres. Fala sobre uma mulher lésbica e uma bissexual, sem que isso seja o que mais as define. Acima de tudo, fala sobre amor, do modo mais universal possível, sem esquecer do carinho necessário que esse tipo de produção precisa. Há sensualidade sem fetichização. Há amor sem apelo ao drama excessivo. Há honestidade. 

Recomendo Red com muita força. É uma produção fundamental e, acima de tudo, apaixonante. A produção está com três temporadas disponíveis de graça em sua plataforma no Vimeo e a quarta está em caráter on demand desde ontem, dia 22 de maio. Logo trarei impressões para vocês sobre essa nova temporada. Para quem nunca ouviu falar, vou deixar o trailer disponível. 


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