Recomendação: O Conto da Aia


O livro necessário para os nossos dias.

Lembro quando li O conto da aia em 2015. 

Já havia um ar estranho no mundo, algo que me deixava com a garganta fechada. O ódio estava presente não apenas no contexto político nacional, mas em várias partes do mundo. Algo que acabou atingindo seu ápice com a eleição de Donald Trump no ano de 2016. Um fato que os livros de História não conseguirão esquecer com toda a certeza. 

O conto da aia me foi recomendado em um podcast que falava sobre livros feministas. Era a primeira vez que ouvia falar de Margareth Atwood, e olha que o ano de publicação desse livro era 1985. Tive muita dificuldade de encontrar: fiz uma encomenda, esperei mais ou menos um mês e, então, finalmente estava com o livro em mãos. Ainda demorei um pouco para ler mas, assim que o fiz, entendi a força do livro: a força de um murro no meio do estômago. 

Ler O conto da aia é um desafio. A autora faz questão de emular em sua escrita a sensação de sufoco estampada na realidade que cria. Não há melhor forma de descrever o que se sente ao ler esse livro: sufoco. É como se você prendesse sua respiração o tempo todo. Não há refresco, não há alívio. Tudo é muito difícil de lidar. E é justamente isso que me faz recomendar essa leitura a todas as pessoas que cruzam o meu caminho. 

O cenário distópico da República de Gilead é próximo demais de nós para ser ignorado. Não por nada, mas porque a liberdade é algo tão frágil que é fácil perdê-la. Na cena mais marcante do livro, vemos que foi preciso muito pouco para que a realidade se alterasse, onde as primeiras pessoas que perderam foram as mulheres. Um olhar histórico sobre o Irã pode nos mostrar que isso não é assim tão difícil de acontecer no mundo real. 

Além disso, O conto da aia é uma distopia que sai da visão masculina. Livros como 1984. Fahenheit 451 e Admirável Mundo Novo trazem olhares masculinos, onde as mulheres quase não aparecem. Já a história de Atwood não só fala sobre mulheres, mas fala de forma que nós conseguimos entender e nos identificar. Questões que podem ser compreendidas por nós. 

Quis começar com essa recomendação porque quero cumprir minha missão de que esse livro seja lido por todas as pessoas. Precisamos nos jogar nessa leitura e receber o impacto.

Recomendo a resenha da Fernanda Castro no The Bookworm Scientist e esse vídeo feito pela Isabella Lubrano do Ler antes de morrer

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