/body Escritora Marcia Dantas: Revendo Scream

23 de jan de 2018

Revendo Scream

Nada como pegar um filme das antigas e ver o quanto ele envelheceu.



Sempre digo que terror é um dos únicos gêneros que não consigo assistir. Sou muito medrosa, impressionável e já tive problemas sérios ao tentar passar por cima desses impulsos e acabar não dormindo bem à noite. Então não consigo me considerar especialista nesse gênero: deixo que outros apaixonados e apaixonadas por levar sustos falem em meu lugar. 

No entanto, considero Scream minha exceção. Desde que assisti o filme pela primeira vez (na televisão, dublado mesmo, depois de muita hesitação e recusa), vi a mim mesma curiosa, bem tensa na cadeira e surpresa com os plot twists que apareciam diante de mim. Havia alguma coisa diferente naquele filme que me fez conferir as sequências (só não vi o 4 ainda) e acompanhar o destino dos personagens que me foram apresentados nesse primeiro filme de 1996. 

Muitos anos se passaram sem que eu voltasse a ter acesso a esse filme ou até conversar sobre ele, até o momento em que esbarrei com esse artigo do Nó de Oito sobre os elementos diferentes dentro da trama. Nunca tinha parado para analisar minha fascinação por Scream mas, ao ler o texto da Lara Vascouto, entendi o que tinha me feito gostar, contrariando meu instinto inicial de sempre fugir desse tipo de gênero do cinema. 

Duas semanas atrás resolvi que era hora de rever Scream e ver como seria minha percepção tanto tempo depois. 

É interessante perceber que, para além das homenagens prestadas por Wes Craven ao gênero de terror, podemos encontrar também elementos que subvertem os clichês comuns a filmes desse tipo, a começar pela protagonista Sidney. Ela não se assemelha às típicas mocinhas de filmes de terror, sendo forte (sem deixar de demonstrar sensibilidade), inteligente, desaforada e não se enquadra naquelas de “virgem e imaculada”. Aliás, acompanhar a trajetória de Sidney e como ela consegue sobreviver chega a ser inspirador. 

Aliás, como se não bastasse Sidney, temos Gale e, por mais que ela pise na bola algumas vezes ao priorizar o próximo furo de notícias, não tem como deixar de amar essa mulher. Ela não tem medo de arriscar, entrar em lugares que não deveria, até se colocando em perigo, e acaba sempre se salvando e até ajudando outras pessoas. Ela e Sidney começam com desavenças, as quais são resolvidas quando elas tem que sobreviver e precisam se ajudar para tal. 

Scream também traz um vilão que é mais próximo da nossa realidade do que podemos imaginar. Não quero entrar em detalhes para não dar spoilers, mas a questão que sempre pune mulheres nos filmes mais populares do gênero é uma motivação para o vilão aqui. E vê-lo falhar no enfrentamento a Sidney é uma delícia. 

É fato que o filme parece muito um fruto do seu tempo atualmente mas, mesmo assim, Scream não perdeu boa parte de sua relevância e frescor. É uma recomendação que faço, especialmente se você é fã do gênero (afinal tem um milhão de referências), mas também se não gosta muito (ou se só tem medo como eu). Encare como um suspense, vale muito pelos mistérios (e não se assuste com o tanto de sangue pelo caminho). 

De vez em quando quero trazer alguns filmes que andei revendo por aqui, trazendo minhas impressões e como minha visão mudou (ou não) sobre ele. O que vocês acham?

Um comentário:

  1. eu gostei bastante da ideia, ainda mais se vc comparar com o q lembrava deles. e adoro scream tb, e olha q nem gosto muito de filme de terror, muito por causa das referencias e desse terror com pitadas de humor na dose certa q o povo tem dificuldade de achar.

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