/body Escritora Marcia Dantas: #52filmsbywomen: Tomboy

14 de ago de 2017

#52filmsbywomen: Tomboy

Título: Tomboy
Ano: 2011
Diretora: Céline Sciamma


Quando coloquei Tomboy na minha lista, achei que o filme me traria algumas lágrimas durante a exibição. Afinal, a temática envolve as questões de gênero, assunto que causa não só narizes torcidos como sofrimento intenso para as pessoas trans que tem que enfrentar o mundo para mostrar a verdade sobre si mesmas. 

Mas esse não é o caso desse filme, e devo dizer que é um baita alívio. Mesmo que eu tenha esperado quase o tempo todo para que alguma situação grave acontecesse, foi bom poder respirar ao final da exibição. 

A pequena jornada de Laure/Mikhael nesse filme enche os nossos olhos de ternura. É tudo tão encantador e emocionante que dá vontade de ficar assistindo por mais umas cinquenta horas. E as coisas são apresentadas de maneira natural e sem nenhuma necessidade de didatismo. As cenas continuam a se sobrepor, sem doer o coração nem um pouquinho. Apenas na parte em que a mãe obriga Laure/Mikhael a contar toda a verdade. 

Aliás, é interessante perceber como Laure/Mikhael teve uma criação que lhe deu liberdade de expressão de gênero. Algo que é encabeçado por ambos, mas principalmente pelo pai. A cena em que ele conforta Laure/Mikhael depois da bronca que recebe da mãe traz aquela lágrima involuntária. 

A sequência em que a mãe fala que não se incomodava com a expressão de gênero de Laure/Mikhael é tocante também por ver que o temor dela é mais pela forma que o mundo pode reagir a Laure/Mikhael do que por seu próprio incômodo, o que é a realidade em muitas famílias de pessoas LGBT+ que aceitam seus filhos e filhas, mas que temem todos os dias desde o momento em que colocam os pés na rua até o momento do retorno (lembrei de uma entrevista do Murilo Araújo). 

Mas a parte mais maravilhosa foi a cumplicidade entre Laure/Mikhael e sua irmã menor. É tão interessante ver como a pequena não só aceitou como abraçou a situação, dando apoio em tudo e até se alegrando na experimentação de ter um irmão, mesmo que fosse apenas por algumas horas. Só o sorriso no rosto. 

Tomboy é uma recomendação mais que feita, um presente do cinema francês para nós. 

Um comentário:

  1. Oie! Ainda tô pra ver este filme, mas sua resenha me fez amá-lo mais ainda e me deixou com mais vontade de vê-lo. Não sabia que a personagem já convivia com essa liberdade de gênero. Por este lado, é uma abordagem bem inovadora, em meio a tantos tradicionalismos sociais, né. Adorei a resenha, ficou bem pessoal e menos "formal".

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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