15 de jul de 2017

#52filmesbywomen: Marie Antoinette (#3)



Título: Marie Antoinette (Maria Antonieta no Brasil)
Ano: 2006
Diretora: Sofia Coppolla

"Let them eat cake"

Essa citação que destaquei acima é atribuída à Maria Antonieta, rainha consorte de Luís XVI, que são nada menos que a realeza que estava no poder na época da Revolução Francesa. Sabe o pessoal que deu aquela fugidinha marota e acabou perdendo a cabeça literalmente? Pois é, se você lembra um pouco das aulas de História, vai ter na memória essa anedota. 

O interessante dessa frase (e é algo usado por Coppolla em seu filme) é que há uma discordância muito forte entre os historiadores mais recentes sobre a veracidade dessa frase. Quer dizer, sim, estamos falando de uma nobreza francesa opulenta e esbanjadora (a qual é bem retratada nesse longa) que torrava o dinheiro dos impostos com suas festas luxuosíssimas e com seus gastos faraônicos (modus operanti bem utilizado por Luís XIV para manter sua nobreza bem satisfeita e assegurar o sucesso de seu governo absolutista, mas que levou a França a gastos absurdos de tal forma a deixar o povo passando fome. algo que voltou com força na forma da queda de um edifício tão simbólico quanto a Bastilha (inclusive comemoramos ontem o dia da Revolução). Mas seria Maria Antonieta assim tão fútil e alienada a ponto de soltar essa frase ao ser questionada sobre a fome do povo francês? 

Sofia Coppolla traz isso para seu filme, uma análise interessante da rainha consorte que veio ainda tão menina da Áustria, com a missão de cumprir o acordo feito entre sua mãe e a França, além de assegurar os interesses de seu país natal. 

Há qualquer tipo de contradição em colocar toda essa responsabilidade nos ombros de uma menina tão jovem, ainda que ela tivesse sido preparada desde cedo para tal. E Coppolla consegue mostrar as essas questões de juventude e da responsabilidade de Maria Antonieta (um dos símbolos disso é o All Star azul colocado entre os sapatos dela, numa cena em que sua aparência é redefinida numa sessão de makeover).

Um dos destaques para mim é toda a trama envolvendo a não consumação entre Luís e Maria Antonieta, e com todos os esforços feitos para que isso fosse finalmente encaminhado. É um conflito longo dentro do filme e pode até enfurecer alguns, mas a abordagem mostra toda a responsabilidade colocada sobre os ombros de Maria Antonieta para não só seduzir o marido como para conseguir um herdeiro, numa espécie de corrida para ver quem engravidaria mais rápido. 

Outro destaque foi a sequência final, quando Antonieta deixa Versalhes para trás quando ela e Luís fogem dos tumultos da Revolução. É uma forma interessante de ver a despedida dela, sem culminar nas consequências da fuga (um final bem criticado pelo que pude ver, mas que particularmente me agradou bastante). 

No mais, o filme tem algumas perdas de ritmo no segundo ato e acaba se atrapalhando em algumas questões, como na definição das responsabilidades de Luís como rei: fora as decisões referentes ao apoio aos EUA, não foi possível ver muito sobre a personalidade e postura dele em outras questões. Porém. não há como negar que é uma visão diferente sobre a nobreza e principalmente sobre essa figura história tão importante, que ganha um olhar mais humanizado pelas mãos de Coppolla. Precisa ser visto, mesmo que não te agrade. 

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