30 de jan de 2017

Ser escritora independente - Coisas que aprendi



Estou no mercado editorial desde 2014, mas abracei a carreira de forma independente no final de 2015, depois de algumas cabeçadas e algum sofrimento. Não que seja tudo um mar de rosas: se tem uma coisa que aprendi é que nada vem de graça, principalmente quando amamos e desejamos tanto. Mas passei por uma ótima experiência nesse ano e gostaria de compartilhar com vocês. Vou separar em alguns tópicos para ficar mais prático e fácil de abordar tudo. 


1. A escrita pode ser solitária, mas o mercado literário é coletivo:


Quando estamos de frente para o nosso computador, criando nossos textos, temos a ilusão de que o trabalho profissional ligado à criação é algo solitário. Mas estar no mercado literário e depender de várias pessoas que vão se envolver no seu trabalho, desde a revisão e capa até divulgação e resenha de suas obras, além dos leitores, claro. Parece algo básico, mas a gente esquece às vezes. 

Vez ou outra você se verá incluso em antologias, concursos, revistas literárias ou coletivos de escrita. Você terá coisas para contribuir com essas pessoas e vice-versa. É um aprendizado contínuo. 

Então dispa-se de toda a segurança e abra-se a novas experiências e aprendizados. O mercado literário é algo amplo para você.


2. Seja cordial como Sansa Stark:


Para quem não está familiarizado com nada do universo de As crônicas de gelo e fogo [de que caverna você saiu?], Sansa Stark é aquela personagem que tinha tudo para não sobreviver ao jogo pelo trono de ferro. Mas ela conseguiu. E como: sendo cordial.

Sansa aprendeu todas as boas maneiras em sua educação privilegiada a aplicou em sua sobrevivência.

Tá, mas o que você quer dizer com isso?

Que muitas vezes precisamos utilizar todos os nossos sorrisos e boa educação para lidar com as pessoas nesse mercado, mesmo que elas nos irritem em algum aspecto. Claro, você não precisa fazer papel de trouxa e concordar com absolutamente tudo. Mas tenha em mente que há formas e formas se se comunicar e expressar suas concordâncias e discordâncias.

Afinal, quem é que gosta de lidar com pessoas consideradas difíceis?

E saiba que o mercado literário é um ovo. Às vezes você perde a oportunidade de trabalhar com uma pessoa que acrescentaria muita coisa ao seu currículo ou faria uma boa divulgação para você porque ouviu coisas ruins de você. E, quando você vai averiguar, descobre que veio justamente de uma pessoa que você tratou mal ou não se preocupou em passar uma imagem positiva.

Posso dizer que desde 2014 colhi muitos frutos bons de relações alimentadas no decorrer desse tempo, e que ajudam bastante nessa estrada independente. 

3. Fale de você para que os outros falem:


Uma das maiores ilusões dos escritores e escritoras que estão começando é achar que algum milagre cairá do seu e fará com que as pessoas conheçam você.

Não é bem assim.

Uma vez usaram uma ótima imagem comigo e foi ali que entendi muita coisa. Pensem na bienal do livro. Imagine o tanto de oferta de livros de autores e autoras conhecidos mundialmente, bombardeados pelo marketing das editoras, dando autógrafos e juntando filas imensas.

E aí tem você, com sua caixa de livros, e seu sorriso esperançoso.

É até ingrato pensar na sua oferta perto das outras, e isso não significa que seu trabalho não é bom. Mas convencer alguém a colocar a mão na carteira e comprar o seu livro demanda muito trabalho.

Claro, tem gente que abusa nas redes sociais de uma forma cansativa. Você não precisa virar um gerador de spam, poluindo as redes sociais das pessoas o tempo todo. Mas o caminho oposto também não fará que as pessoas percebam que você está lá. Então tente o meio termo e insista, porque é um trabalho de formiga.

Ano passado fui a um encontro de escritoras independentes e ali entendi que eu não era a única a encontrar barreiras na venda de livros. Mesmo as escritoras ali, que tinham mais nome do que eu, esbarravam em alguma parede, mas não desanimavam. Foi nesse encontro que aprendi a sempre ter um exemplar de algum livro em mãos, para poder falar do meu trabalho na primeira oportunidade. Adotar essa tática fez muita diferença na venda da segunda edição de Reescrevendo Sonhos.

4. A formiga ainda é mais bem sucedida que a cigarra:


A alusão à fábula não é para chamar ninguém de preguiçoso, mas para lembrar que as coisas no meio literário, ainda mais para quem é independente, é um trabalho constante. Você precisa os grãos um a um, sem perder a perseverança, e ver seu depósito encher a cada dia mais.

Afirmo que é bem complicado ter que pagar do seu bolso uma quantidade considerável de dinheiro para revisão, capa, copidesque, marcador, impressão, brindes, desconto do pagseguro... apenas para receber um pouco por vez, isso quando você consegue vender. E tem aqueles momentos que dói no coração ter que entregar um exemplar a um blogueiro, quando você vai ter "apenas" divulgação [embora não se pode menosprezar em nada o trabalho de blogueiros literários, acredite]. Mas cada um desses esforços vem junto no montante das coisas.

Quando você está no meio do revés, é complicado. 2015 foi um ano de consumir minhas finanças de uma forma assustadora. Mas hoje vejo que meu nome está indo um pouco mais longe a cada vez, e então estou sendo insistente como a formiga.

5. Internet e blogueiros literários:


Você precisa amar as redes sociais e os blogueiros.

As redes sociais fazem o trabalho do tópico 3, levando seu nome para mais longe que suas perninhas podem levar. Os blogueiros exaltam seu trabalho de um modo que recompensa demais. Então não abra mão do primeiro ou destrate o segundo.


6. Atire para todos os lados:


Sabe aquela antologia de contos de alienígenas? Aquele concurso de receitas de bolo? Ou mesmo aquela participação numa revista literária que acabou de começar? Não despreze.

Escrever para todas essas coisas tem dois benefícios muito legais:

a) faz você escrever o tempo todo;
b) permite que você possa ser visto por pessoas que você nem espera;

Então se jogue e participe de tudo o que você puder, sem esperar os resultados, apenas apostando. Você não vai perder nada, garanto, e vai se lançar em desafios fantásticos.

7. Aprenda de tudo um muito:


Quando a gente vai pra uma editora, não sabe nada dos serviços editoriais.

Esse foi um ganho que tive na carreira independente. Comecei a aprender a fazer capa, marcador, diagramar, fazer vídeo, exportar pdf... enfim. Ainda tenho muito o que aprender e aprimorar, claro. Mas olha, já consigo dar conta de muita coisa e, principalmente, saber o que quero nos meus livros.

Internet tá aí pra ensinar, e o que não faltam são programas que nos ajudem, e tutoriais que nos guiem.

 E então, tem mais alguma dica para compartilhar? Coloque nos comentários!

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