11 de dez de 2016

DLRG #1: Livros de Jane Austen


O final do ano chegou e, mesmo diante da correria, estou colocando minha vida nos eixos agora. É como uma preparação para 2017. E, justamente por causa disso que estou dando o pontapé inicial ao Desafio de Leitura Rory Gilmore [DLRG]. E vamos começar com um especial de uma autora que comprometeu praticamente metade do ano de 2016 em minhas leituras: Jane Austen.





Gostaria de falar em geral sobre a autora. Jane Austen apresenta em sua literatura histórias que são centradas em personagens femininas que enfrentam como podem o universo tão patriarcal do século XIX na Inglaterra, onde a única forma de ascensão social é o casamento. Os livros de Austen apresentam uma estrutura em comum: uma protagonista que se encontra em uma situação financeira complicada - exceto Emma Woodhouse. Em algum momento da história elas se encontram reféns disso, tendo a opção de se casar com um rapaz que, apesar de não ser de seu completo agrado, ou de agradar apenas por um determinado tempo, possuem situação financeira capaz de salvá-las ou à sua família. Mas elas optam por recusar tal oferta, o que contraria a opção comum da época, ou por terem outro interesse ou por simplesmente se negarem a aceitar tal opção. E então são premiadas, recebendo um final feliz. 

Se olharmos para essas histórias com nosso olhar contemporâneo, isso parece o enredo de uma comédia romântica qualquer. No entanto, é importante entender que os enredos austenianos se passam durante o período regencial, antes da Rainha Vitória, ou seja, o amor romântico não era isso que virou tão comum para nós. Recusar um homem rico só por não ter sentimentos por ele pode ser considerando uma enorme rebeldia para a época. 

Mas não é só isso que ressalta os olhos nas obras de Austen. As protagonistas costumam desafiar outras convenções sociais e serem mais "arredias" que as mulheres de sua época. Emma Woodhouse ou Lizzie Bennet são muito espirituosas e até intensas demais para o que elas deveriam ser. Austen também usa seus escritos como uma crítica à sociedade inglesa que estava estabelecida antes da ascensão da Rainha Vitória, e a ironia da escritora é visível em quase toda a sua obra. 

Por isso é importante que a obra de Jane Austen seja vista dentro do contexto histórico em que foi elaborada - mesmo Mansfield Park, minha menos favorita - e entendida pela inovação trazida pela escritora. 

O DLRG tem relacionado quatro dos seis livros que li da autora britânica durante esse ano: Emma, Orgulho e Preconceito, A Abadia de Northanger e Razão e Sensibilidade. Vamos falar de cada um deles. 

Emma


Para quem acompanha o blog, não é segredo que Emma teve potencial para ser meu livro favorito desde o começo de minha incursão nas leituras austenianas, prognóstico que acabou se confirmando. Emma Woodhouse é a protagonista com a situação financeira mais confortável de todas, e isso dá um tom diferente à história. Ela pode ser considerada uma garota mimada, sempre acostumada a ser apreciada por todos ao seu redor e por conseguir o que quer. Mas, no decorrer das páginas de Emma e das pataquadas divertidas - e às vezes questionáveis - de sua protagonista, que vemos a personagem ganhar camadas interessantes. É o típico livro "ame ou odeie", muito por causa do tom de Emma, que costuma gerar narizes retorcidos. Para mim, vale por ser uma personagem fora da fórmula e por ser tão controversa. 

Orgulho e Preconceito


Dez entre dez pessoas que ouviram o nome de Jane Austen pensam imediatamente em Orgulho e Preconceito, e não é à toa. A obra é marcante pela protagonista ácida e irônica e pelas reviravoltas incríveis em sua história. 

Além do que listei acima, Orgulho e Preconceito também chama muito a minha atenção por estar completamente afiada na crítica à sociedade da época de Lizzie Bennet. A frase inicial, imortalizada entre as aberturas mais memoráveis da literatura, já mostra o que viria a seguir:

É verdade universalmente conhecida que um homem solteiro em posse de boa fortuna deve estar necessitado de esposa.

A Abadia de Northanger 


A história que envolve a ingênua e sonhadora Caterine Morland foi uma grande surpresa para mim. Ela segue a risca a fórmula básica dos livros de Austen, mas traz para essa fórmula um clima misterioso que tempera muito bem as páginas de A Abadia de Northanger. A paixão da protagonista por esse tipo de história é trazido por Austen e nos faz reagir da mesma forma que Catherine, que viaja entre Bath - que era a cidade natal de Jane Austen - e a tal abadia do título. 

Outro destaque para mim é o narrador desse livro. Mais ácido do que nunca, traz algumas sacadas que até hoje parecem pertinentes, como a memorável comparação entre o que era considerado livros para homens e mulheres. Toda a crítica social de Orgulho e Preconceito está presente em A Abadia de Northanger

Razão e Sensibilidade


Assim como A Abadia de Northanger, Razão e Sensibilidade foi uma surpresa, mas num sentido de decepção com a expectativa criada. Assim como Mansfield Park, tive um problema de conexão com os personagens, especialmente a protagonista Elinor. A história também não me prendeu, mais pelo fato de o livro se estender bem além do que eu achava necessário. De qualquer forma, méritos para o Razão e Sensibilidade, que foi bem fundo nas questões financeiras e nas dificuldades que as mulheres tinham numa sociedade completamente patriarcal. Ser uma filha nascida mulher dificilmente era privilégio. 

E então, o que achou dos livros do desafio? Já leu alguma coisa de Jane Austen?

Para as próximas postagens do desafio, trarei O Morro dos Ventos Uivantes de Emily Bronte, Farenheint 451 de Ray Bradbury e 1984 de George Orwell. Vamos ler?

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