5 de out de 2016

Minha oficina de escrita #2: Segundo exercício



Seguindo a coluna Minha oficina de escrita, vamos para o segundo exercício.


A segunda aula do livro A preparação do escritor foca bastante em explicar os conceitos de conteúdo material e literário no planejamento de um livro. Dessa forma, não há um exercício específico, mas mais algo prático para que a escritora ou o escritor apliquem diretamente em seu livro. 


Como estou inscrita no NaNoWriMo 2016 com meu próximo livro [que agora tem apenas a alcunha de "livro dos desencontros"], estou então aplicando esses conceitos no planejamento e preparação. 

Para o conteúdo material estou juntando algumas músicas que me fazem pensar sobre o enredo e como vou desenvolver a história desse livro. Por enquanto separei duas: Iris do Goo Goo Dolls e Against All Odds do Phil Collins. 

Para o conteúdo literário ainda estou em debate, mas é quase certeza quer farei uma narrativa em primeira pessoa e não-linear. Eis um trecho de um estudo de personagem que fiz recentemente:

A distância que eu percebia entre nós não era equivalente ao tamanho de meus sentimentos por ela.
Laura sorria todas as vezes, antes que seus lábios tocassem os meus. Ela gostava disso; fazia parte daquele ritual que qualificava o nosso relacionamento. Assim como o fato de que ela gostava de colocar a mecha ondulada e loira de meus cabelos atrás da minha orelha — aquela mesma que teimava em escapar do lugar onde ela achava que deveria estar. Ou então quando ela cruzava as mãos atrás das minhas costas quando a gente se beijava, como se temesse que eu fugisse para algum lugar.
Eu nunca fazia isso, porque não era o que queria. Precisava estar com ela e evitava ao máximo que distâncias se colocassem entre a gente. Laura não sabia disso, por mais que eu repetisse que queria orbitar ao redor dela pelo tempo que me fosse possível. Segurá-la entre meus dedos, não perder seu toque ou o calor com o qual me envolvia.
Acho que Laura nunca acreditou de verdade no que havia entre gente, e isso eu podia ver quando ela desviava o olhar de vez em quando.
Depois de um tempo a gente acaba percebendo a distância que se faz presente em situações assim; algo parecido com as leis da física que aprendemos na escola. Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo. Duas almas não podem permanecer unidas quando as barreiras do desentendimento se tornam palpáveis.
Um dia foi tarde demais para diminuir o que nos separava e mesmo aquele amor que sentia — e sabia ser correspondido — não preenchia o vazio deixado pelas circunstâncias da vida. Eu queria algumas coisas, ela desejava outras. Nossos caminhos pararam de se cruzar certa vez.
Foi quando percebi que precisava seguir, ainda que Laura ficasse complemente longe de mim.

Por enquanto é isso que tenho. Esse exercício ganhará novos elementos no decorrer desse mês de preparação para o NaNoWriMo, os quais colocarei no meu planejamento.

E você, o que achou de trabalhar com esses conceitos de conteúdo material e literário? Tem algum original em planejamento atualmente? Participará do NaNoWriMo? Compartilhe!



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