5 de set de 2016

Minha oficina de escrita #1: Primeiro exercício




Demorei, mas terminei o primeiro exercício. Vamos lá então para postá-lo.


Tive um mês agitado e tive que fazer esse exercício aos poucos. Mas finalmente vou postá-lo. Vamos lembrar qual era?

Procure contar uma breve história através de um narrador na primeira pessoa e depois na terceira. Invente um personagem-narrador e lhe dê um nome.Depois pense no narrador inominado.
Boa sorte

Texto em primeira pessoa:

Meus olhos observavam as cores que se formavam no horizonte. Era o pôr-do-sol e as cores pintavam o céu, formando uma obra de arte criada pela natureza. Quase não consegui piscar diante do espetáculo que se formava diante de mim. Era bom demais para ser perdido, mesmo que apenas por um segundo. 

Eu tinha determinado para mim mesma que dedicaria muito mais tempo para apreciar os pequenos milagres que aconteciam ao meu redor. O mundo girava muito rápido, as coisas aconteciam em uma velocidade que não se espera e, antes que a gente possa se dar conta, perdemos tantas coisas que já não podem mais ser recuperadas. Tinha consciência disso agora e já não queria deixar as coisas passarem por mim sem que fossem percebidas. 

Não queria mais permitir que a vida escorresse pelos meus dedos. 

Tirei o celular do bolso de trás da calça e procurei em meio aos aplicativos ali instalados a câmera. Parecia fútil querer registrar aquilo, até porque não havia imagem que substituísse o que seus olhos viram e as memórias. Mas tirar aquela foto era mais sobre lembrar daquele momento que ter algum tipo de reprodução fiel do que estava vendo. Era sobre guardar o momento, e não a experiência em si. 

Fiz o enquadramento e bati o dedo na tela, escutando o barulho característico do aplicativo. Sorri, guardando o celular no bolso e continuando a apreciar o pôr-do-sol. 

Enquanto retornava para casa, dirigindo na escuridão da cidade, meus pensamentos vagavam pelas ruas, perdidos. Parecia tarde para fazer uma loucura daquelas: pular um dia de trabalho apenas para observar o pôr-do-sol. Mas eu já não ligava para o que era certo, errado ou apenas muito louco para ser feito. Tinha perdido muito tempo medindo os prós e contras dos meus atos, sem nunca perceber que poderia apenas viver e aproveitar o que estava à minha disposição. 

Estacionei meu carro na frente de casa e desliguei o motor. Tirei o celular do bolso e procurei pela foto tirada mais cedo. Meu sorriso se abriu, quase no mesmo tanto, minha mente lembrando o espetáculo presenciado meia hora antes. Aquilo era vida, a natureza que pedia para ser observada e apreciada. E eu tinha tido a oportunidade de acompanhar seu presente. 

Senti meus olhos umedecerem de repente. Era alegria com pitadas de melancolia, sentimentos novos que se misturavam dentro de mim. Era o prazer em finalmente apreciar a vida misturada à agonia de saber que eu teria pouco tempo para aquilo. Exames tinham revelado a natureza de um mal estar que eu sentia há muito tempo e um médico tinha dado a sentença, uma que não poderia ser revogada. Levei muitas noites em claro para aceitar a verdade, até perceber que estava desperdiçando meses que não tinha à minha disposição. Era melhor que eu tentasse aproveitar o que me restava. 

Resolvi que podia jogar tudo para o alto e apenas apreciar o pôr-do-sol. 

Enxuguei os olhos sem perder o sorriso. Não deixaria que a tristeza dominasse, ainda que não pudesse me livrar dela. Eu estava no comando e faria o que fosse preciso para viver o que não tinha vivido ainda. Para ver o que precisava. Para sorrir da forma que fosse possível.  

Texto em terceira pessoa - o nome da narradora é Luana:


Ela tinha saído naquela tarde determinada a fazer daquele um dia a ser lembrado. 

Não tinha como saber exatamente o que faria, mas aconteceria algo e ela sorriria ao ver. Seu peito se encheria de emoção e seus olhos se umedeceriam pela beleza presenciada. Era isso o que queria e precisava.

O parque parecia mais iluminado que nas outras poucas vezes que o tinha visitado. Olhou a alegria no rosto das pessoas que por ali passeavam e se percebeu inundada pelos sorrisos que encontrava pelo caminho. Apreciava cada pequena dádiva que encontrava enquanto caminhava, dando valor aos segundos que passava ali. Não tinha pressa ou necessidade de olhar o celular para ver se tinha recebido alguma mensagem urgente do trabalho. Que fosse para o ar as metas e as obrigações a serem cumpridas. Agora era hora de viver para si mesma, enquanto pudesse. 

Era a primeira vez que ela se dava ao luxo de sorrir depois do diagnóstico terminal que recebera meses atrás. Tinha passado muitas noites em claro, temendo que não acordasse na manhã seguinte. Ou pior, que os sinais da deterioração de seu corpo se apoderassem tão rápido dela que logo se visse presa à própria cama. 

Foi quando ela percebeu que estava perdendo o pouco tempo que ainda tinha pela frente. O diagnóstico era uma sentença que não poderia ser revogada, sabia bem. Então para que atormentar a mente e deixar que o resto de vida que lhe restava escorregasse pelos dedos em uma velocidade que não poderia ser controlada? Era melhor fazer tudo valer a pena.

Por isso estava naquele parque, esperando apenas pelo pôr-do-sol. Seria ele realmente tão belo quanto os poemas diziam? Ela queria atestar. Olhou para o horizonte, e seus olhos começaram a ver que um espetáculo se aproximava. O céu repleto das mais diversas cores, junto com o jogo de luzes da natureza, fazia com que o sol se destacasse e emocionasse. Os olhos lacrimejaram e ela ficou sem reação, até ver que tudo acontecia rápido demais. Foi quando ela conseguiu alcançar o celular no bolso da calça e registrar ali o que seus olhos presenciavam. 


A natureza celebrava a vida e ela jamais esqueceria do que estava vendo. 


Ansiosa para o próximo exercício, e você?

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