4 de set de 2016

Meu estilo, ninguém se mexe!


O que é mais importante para alguém que trabalha com a escrita: as opiniões externas ou sua própria visão em relação ao seu trabalho?



Essa foi uma pergunta que tive que voltar a responder nos últimos meses, quando recebi uma resposta de uma editora para a qual tinha mandado meu original:


Quando enviei esse email com meu original, o "não" era esperado e não foi exatamente uma surpresa, especialmente pela demora que levaram para responder. E isso não foi a causa do incômodo que senti pelas próximas horas depois da leitura dessa mensagem. 

Na verdade demorei várias horas e conversa com várias pessoas para entender qual era o problema. Então percebi que era a observação sobre o ritmo de de minha história, que era lenta demais. 

Mas, antes de explorar um pouco mais desse assunto, quero explicar como eu enxergava antes meus textos. 

 Escrevi fanfics entre os anos de 2008 e 2013 e, durante esse tempo, nunca realmente me considerei boa. Verdade, não estou exagerando: mesmo com a grande quantidade de textos que eu produzia – muito mais que hoje em dia, garanto – não me considerava uma escritora de qualidade. Às vezes volto minha mente nesse tempo e tentava imaginar quais motivos me fizeram desejar então ser escritora profissional, sem nunca achar a real resposta. Era a paixão pelas palavras, era o prazer de colocá-las em um texto; o processo sempre foi muito prazeroso. 

Na minha época das fanfics raramente relia meus textos e, quando conseguia fazer isso, sempre achava que não eram bons o suficiente. Quando terminava de escrever, tratava de publicar logo, antes que batesse o arrependimento e acabasse por engavetar o bendito de uma vez. Vários deles jamais ganharam a luz do dia, sendo apagados do meu HD. 

Em 2013, quando resolvi tomar o passo fundamental para a profissionalização, percebi que isso seria um empecilho. Como eu poderia escrever, reescrever, editar, revisar, se não conseguia reler o que escrevia? Mais importante do que isso: como eu conseguiria falar sobre minhas histórias se eu mesma não as amava? Era, no limite, contraditório. Não fazia sentido e não me faria ir para nenhum lugar. 
Aos poucos aprendi que podia tentar ler as palavras que escrevia. Foi estranho no começo e eu continuava a rejeitar alguns dos textos. Mas insisti no processo e vi que, ok, eu não era afinal tão ruim assim. Então depois entendi que, certo, isso que escrevi me agradou bastante. E agora olho para meus trabalhos com orgulho, amando e apreciando cada um deles. 

Na verdade é que minha maior descoberta nesses três anos de profissionalismo é que eu precisava amar meu texto mais que todas as outras pessoas. Essa é a parte mais importante, muito mais que oficinas de escrita ou entendimentos gramaticais. O encontro com o nosso eu e, mais do que isso, o poder de apreciar o que possuímos dentro de nós. O olhar no espelho e gostar do que se vê ali. 

Então, quando olhei para esse email, percebi como o processo de aceitação dos meus textos tinha sido fundamental. Consegui absorver o impacto do que tinha lido e entendido que, não é porque o mercado não gosta do meu estilo, que eu também não vá gostar. Pelo contrário, ser diferente é o que faz com que eu me apaixone a cada dia mais pela minha escrita. 

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