/body Escritora Marcia Dantas: Personagens femininas #5: Emma Woodhouse (Emma)

27 de jan de 2016

Personagens femininas #5: Emma Woodhouse (Emma)


Desde que coloquei meus olhos sobre as primeiras linhas das páginas desse livro, eu sabia: Emma entraria na minha coluna de personagens femininas. Não é por nada, mas consigo sentir o cheiro daquelas personagens que serão odiadas ou mal compreendidas e isso é sempre um atrativo para mim. Então cá estamos, falando da Srta. Woodhouse.

O começo do texto de Jane Austen deixa bem claro como Emma possui uma vida privilegiada. Fora a tragédia da perda da mãe, quando ainda era muito nova para sequer criar lembranças dela, tudo ao seu redor corre de modo a que ela tenha poucas ou quase nenhuma preocupação na vida: rica, bonita, culta e amada por quase todos ao seu redor, tudo parece propiciar o mínimo de sofrimento para a garota.

Tudo isso, somado ao costume adquirido por Emma em cuidar de seu pai hipocondríaco e super sensível a qualquer mudança que ocorra ao seu redor, cria uma autonomia interessante em Emma. Ela é uma mulher que vive na Inglaterra do século XIX e que não se preocupa ou busca o casamento (não o próprio pelo menos). Gosto de uma das citações do livro que afirma que a personalidade de Emma não admitiria ser domada por um marido. 

Todo esse privilégio e autonomia, além do estranho hábito de tentar saber o que é melhor para as outras pessoas melhor que as pessoas, cria uma tendência a antipatia pela personagem. Se transportássemos Emma para os nossos dias (e isso já foi feito pelo filme Clueless), ela seria a típica "patricinha" ou aquelas personagens "bitch" que já nos acostumamos a odiar. Veja bem, não afirmei que Emma se encaixa necessariamente nesses estereótipos extensamente utilizados em Hollywood, mas que essa construção feita por Jane Austen no início da história indica tal fato. Esse artigo da Fernanda Castro explora um pouco disso que estou falando para vocês. Gostaria de destacar esse trecho do artigo: 

Emma tem tudo o que alguém poderia querer da vida. Ela, por assim dizer, nasceu de bunda para a lua. Nunca precisou mexer uma palha para conseguir nada, é adorada de graça pelos outros e tem uma auto-estima inabalável. Uma receita que já faz a gente entortar a cara pra ela: vai ser essa a mocinha que eu deveria amar?

Você não precisa amar, mas faço o convite para que não a julgue logo de cara. 

Aliás, em minhas longas análises feitas sobre personagens femininas nos últimos anos (as quais consigo trazer apenas uns 10% para o blog, infelizmente), percebo que esse pode ser um erro que pode condenar sua apreciação de muitas personagens femininas riquíssimas e interessantes (quero fazer uma postagem sobre isso ainda essa semana). 

Minha última experiência foi com Chloe Gemmell da série britânica My Mad Fat Diary. A personagem foi feita para ser uma espécie de antagonista para a protagonista Rae: uma amiga de infância que a trouxe para o grupo que começa a frequentar chamado The Gang, mas que gera uma série de conflitos em sua nova relação com a personagem. Isso mesmo, Chloe é a queen bitch que você sente aquela inclinação a odiar.

Até que a série mostra que as coisas não são bem assim. 

Vou falar um pouco de Chloe em uma postagem só para ela, mas só queria fazer a comparação porque acho adequado.

 No decorrer do livro começamos a conhecer mais do coração da personagem e, além de descobrirmos que ela não enxerga um palmo à frente do nariz (o que é fantástico), entendemos que ela tem boas intenções, só não consegue direcionar isso da melhor forma, cometendo erros dos quais ela mesma se arrepende e que abalam um pouco a confiança mencionada acima na citação da Fernanda. Cabe à personagem equilibrar um pouco as coisas e deixar que os problemas criados não só por ela se resolvam naturalmente, sem nenhum plano mirabolante. Ela não precisa controlar a vida ou as pessoas ao redor, só deixar que tudo siga seu curso.

Encerro aqui essa postagem sobre o livro Emma de Jane Austen, o primeiro que li esse ano e que faz parte da minha meta de 2016 do projeto #leiamulheres. Tentarei fazer mais postagens sobre minhas leituras, compartilhando com vocês minhas impressões.

E vocês, já leram Emma? O que acharam da personagem?

3 comentários:

  1. Oi, moça!

    Emma ainda está na minha lista, com certeza. Eu li esse artigo da Fernanda e, apesar de me colocar um pouco de incerteza quanto à personagem, não me deixei influenciar tanto. Também porque acho que, de certo modo, ela é uma personagem verdadeira (em relação ao pouco que já li sobre ela, claro). Achei sua análise muito boa. Acho que, pelo fato de o estilo do livro ser outro, a Emma não seja tão irritante quanto a maioria das patricinhas dos gêneros de hoje - e isso me dá fé haha.

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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  2. Resumidamente: Emma é uma patricinha, bonita e culta. Difícil de se deixar ser dominada pelos garotões e que curte deixar que a vida siga seu curso. Talvez, como a Nina disse, ela não seja tão irritante.

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  3. Confesso que no início do livro torci a cara para a Emma, justamente porque o estereótipo me pegou de surpresa. Estava esperando uma mocinha ao estilo Elizabeth, algo que Emma passa longe. Mas com o passar dos capítulos a protagonista foi me conquistando, principalmente por notar o quão bem intencionada ela era, o quão grande era seu coração. O livro foi um tapão na cara pra mim, hahaha.
    (feliz de ver meu parágrafo em destaque ali em cima =D)

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