/body Escritora Marcia Dantas: Personagens femininas #4: Rey (Star Wars Saga)

5 de jan de 2016

Personagens femininas #4: Rey (Star Wars Saga)

Rey, a protagonista de Star Wars que sempre esperei
Nada melhor para uma fã confessa de Star Wars como eu (falei um pouco do meu amor nessas postagens) do que ser recompensada de modo tão espetacular. E minha recompensa veio através do mais recente filme da saga, que estreou no final do ano passado e que entrou na minha retrospectiva dos filmes assistidos em 2015

Minha maior recompensa tem um nome, embora ainda não tenha um sobrenome e muito menos origens definidas: ela se chama Rey. 

Atenção que essa postagem terá spoilers

Quem acompanha essa coluna sobre personagens femininas sabe que, independente do amor que tenho por Padmé e por Leia, não sou cega aos problemas que existem em ambas (principalmente em relação à Padmé, nunca me conformarei). 

Também não podemos esquecer que Star Wars peca seriamente no quesito representatividade, sendo uma história de caras brancos e héteros para caras brancos e héteros. Recomendo fortemente a postagem Onde está o resto da humanidade em Star Wars? do blog Momentum Saga, que abraça exatamente tudo o que estava na minha cabeça e de mais um monte de pessoas na expectativa pré-episódio VII. 

Mas J.J. Abrams mostrou que quebraria um pouco esse padrão das duas trilogias anteriores, colocando nos papéis principais uma mulher branca, um homem negro e um homem latino. A representatividade agradece.


Mas essa postagem é para falar de Rey, afinal é para isso que estamos todos aqui, certo? E, para começar, preciso dizer que ela é muito melhor do que sempre sonhei para uma personagem central em Star Wars

Desde a sua primeira aparição vemos que a personagem tem profundidade e muitas camadas a ser explorada. Muitas coisas são transmitidas apenas por seu olhar, como medo, fúria, dor, coragem (já agradeceu pela escalação de Daisy Ridley para esse papel hoje?), uma enxurrada de sentimentos que transformam Rey em uma personagem complexa e que causa inspiração. 

Como toda protagonista d e Star Wars, ela tem uma motivação, e é esperar por sua família. Rey está disposta a passar as piores provações em Jakku, um sistema tão ou mais árido (em todos os aspectos) que Tatooine, porque aquela é a sua única conexão com a família da qual sequer se lembra. E ela agarra a própria sobrevivência com as próprias mãos sem, no entanto, perder os princípios. Isso é demonstrado devidamente na cena em que recusa vender BB-8 por uma quantidade de ração que lhe garantiria a sobrevivência por um bom tempo. 

Aliás, a sobrevivência foi algo que forjou fortemente seu caráter. Li nessa review do site Collant sem Decote que ela tem uma enorme capacidade de adaptação ao lugar onde ela está e concordo com isso. Ela não tem muito tempo para pensar ou avaliar a situação ao seu redor, pois isso pode custar caro, então ela age, porque aprendeu isso desde que se lembra por gente. 

Rey também foi cuidadosamente escrita (pelo menos foi a análise que eu fiz) para não depender de ninguém, e sim ser parceira. Todas as vezes que tentam salvá-la, Rey trata de demonstrar que consegue dar conta do recado. Ela não é musa, e sim agente da própria história.
Rey é sensitiva na Força. É a esperança dessa trilogia, assim como Luke e Anakin foram em seus respectivos tempos. E, honestamente, não importa se a origem dela é ou não da família Skywalker, pois ela já conquistou seu lugar ao sol.

Como não poderia deixar de ser, o mimimi apareceu. Claro que ia aparecer um monte de gente achando que ela é "perfeita" demais para ser verdade. Então vamos ao teste: você não acha que Luke e Anakin eram "perfeitos" demais para ser verdade? E até podemos sair de Star Wars e pensar em outras histórias. Mentalize aquele cara super incrível do seu filme de ação favorito: e aí, ele também não é perfeito demais para ser verdade? Então por que o incômodo com a Rey?

Isso me lembrou um texto da Clara Averbuck no Lugar de Mulher sobre Agent Carter. Ela falou do comentário sobre como Peggy era melhor que os homens e como isso incomodou certas pessoas. Claro que ela é melhor, ela é a protagonista, assim como Rey, e assim como vários protagonistas de filmes com heróis invulneráveis da década de 80, como os filmes do Chuck Norris por exemplo. 

Enfim, é hora de parar de inventar desculpas para minimizar protagonistas femininas, ainda mais agora que finalmente elas estão tendo o espaço devido. Estamos em um mundo onde existe Katniss, Furiosa, Peggy Carter, Jessica Jones e assim por diante. A representatividade está aqui e finalmente as mulheres podem se ver na tela. E, quando até uma saga da importância de Star Wars reconhece isso, é porque já andamos um bom caminho.
E vocês, o que acharam da Rey?

2 comentários:

  1. [SPOILERS]
    Em um ano que Katniss nos "deixou" de maneira incrível - pra mim uma das melhores personagens femininas dos últimos anos - achei que ficaríamos órfãs por um tempo. Mas que nada, surgiu Rey! Ela é maravilhosa, essa constante que tu mencionou, Marcia, dela não precisar de ninguém aparece o filme todo. Desde ela sobrevivendo sozinha com a nave sucateada, a primeira cena com o Finn onde ela solta imediatamente a mão dele para continuar correndo ("eu consigo fazer isso sozinha", algo assim ela diz). A personagem se desenvolve muito bem, mas ficou aquele clima Finn/Rey que eu não colocava a menor fé, passei o filme pensando neles muito mais como aliados do que como casal. E o final coroa isso, quando antes de ir encontrar o Luke, ela beija a testa do Finn e fala "até breve meu AMIGO" (algo assim). Ótimo! Ela é uma guerreira, uma Jedi(?) e sem mimimi amorzinho. Gostei muito.

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  2. Poxa, eu não gosto de Star Wars. Fico com o coração na mão quando tenho que comentar em alguma postagem de fã, porque eu entendo esse amor todo, mas realmente não consigo ver graça... Pelo que eu lembro, vi dois filmes e não me desce, sabe? Uma pena, talvez porque eu não tenha visto numa sequência, não sei explicar. Então, não tenho o que falar sobre Rey, porque realmente não a conheço.

    Beijos.

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