31 de jan de 2016

Minhas leituras #2: Emma (Jane Austen)


Minha meta #leiamulheres deste ano começou com o pé direito com os livros da icônica escritora Jane Austen. E o primeiro livro que terminei foi Emma, que já está na lista dos meus favoritos da vida. Vou compartilhar um pouco dele com vocês.



Eu desenvolvi um pouco das minhas impressões sobre esse livro de Jane Austen na postagem sobre a personagem principal na minha coluna sobre personagens femininas. Se você ainda não deu uma olhada, pode acessar aqui. Mas quero me ater um pouco ao livro, embora vá recorrer um pouco ao que eu já disse na postagem sobre a protagonista, afinal ela é a espinha dorsal da história (não é à toa que é a única obra da escritora que leva onome de alguma personagem). 

Um dos méritos de Jane Austen é a valorização e maravilhosa construção de personagens femininas e isso certamente está presente nesse livro. Não só por sua protagonista, mas também pelas outras personagens que orbitam no universo da provençal Highbury. 

Entre os vários destaques, podemos enumerar Harriet Smith, o projeto particular de Emma, que sofre um bocado no decorrer do livro com os hábitos questionáveis da protagonista, mas que desenvolve um relacionamento incrível com a protagonista. Ela consegue não só mostrar o pior e o melhor da personalidade Emma como, em suas interações com a moça, demonstra que, não importa o que acontece, a amizade entre duas mulheres é algo incrível. Quantas séries, filmes e livros por aí, que alimentam a rivalidade feminina, podem aprender com Jane Austen, hein?

Aliás, a rivalidade feminina é algo também explorado nesse livro. Jane Fairfax é a personagem que demonstra isso melhor. Elaborada para ser inicialmente a personagem a ser odiada pela protagonista, especialmente pelos elogios exacerbados de Miss Bates, a moça se converte do mistério a uma mulher que tenta ser forte num mundo que não a beneficia e, por sua própria falta de sorte (e pelas insistências de George Knightley), acaba atraindo o desejo de amizade de Emma. 

Claro que a cereja do bolo é Emma Woodhouse. Não vou me alongar em falar dela, porque né, a menina já tem uma postagem todinha para ela. Mas, como uma conclusão à postagem anterior, o fato é que não precisamos de personagens que sejam fáceis de se gostar para gostar deles. Muitas vezes aquela história é sobre uma determinada jornada e aprendizado, e é fato que a Emma da última página é muito diferente daquela que encontramos na primeira. 


Toda essa multiplicidade de personagens femininas mostra que é possível sim ter mulheres de todas as formas em uma história. Elas são o motor da trama e, claro, mesmo com todo o papo sobre paixões e casamentos, Emma passa no teste de Bechdel. 


Entre os personagens masculinos, temos os dois opostos da história: George Knigtley, a bússola moral de Emma, quase um grilo falante em forma de cavalheiro do século XIX, e James Elton, um dos personagens mais irritantes  e desprezíveis que tive o desprazer de conhecer na ficção. E, entre eles, Frank Churchil, que tem a vocação de ser um grande amigo para Emma, mas comente erros que me fazem seriamente questionar se gosto dele ou não (ainda estou pensando sobre isso honestamente). 

Emma também tem duas figuras interessantes que orbitam ao seu redor: Mr. Woodhouse que, de tão frágil, dá vontade de pegar no colo e Mr. Weston, que é frágil de um modo diferente, sendo tão ligado à memória do filho como Miss Bates à Jane Fairfax.

Tentei deixar de fora revelações importantes para quem ainda não conhece a história, para não estragar algumas coisas interessantes, mas já adianto que é super divertido perceber as coisas antes de Emma, que não enxerga um palmo à frente do nariz. E sempre acontece.

Outra coisa maravilhosa das obras da Jane e que está presente nesse livro (especial para os aficionados por História que nem eu): a crítica da autora à sociedade em que vivia, regada a muito humor e sagacidade. Vale a pena enxergar a sociedade inglesa através da contemporaneidade de seus olhos.

E então, já leram Emma? O que acharam do livro?

3 comentários:

  1. Eu, sinceramente, não sei porque ainda não li Jane Austen. Que mundo eu tô vivendo? Preciso! Amei o post, me deixou morrendo de vontade de conhecer essa obra.

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  2. ODEIO quando os autores usam da rivalidade feminina para qualquer fim em sua história. Até entendo colocarem isso, mas o que custa dar um, digamos, "final feliz", onde as duas percebem que não precisam estar rivalizando, quando o inimigo é uma coisinha que começa com "m". Por isso que amo tanto quando vejo amizade feminina em algum livro, já eleva o nível do livro. Ainda não li nada da autora, mas esse com certeza leria.

    Abraços,
    Karina do blog Eu e Minha Cultura.

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  3. Oi, moça.

    O que posso eu, mera apreciadora à distância do trabalho incrível de Jane, falar depois disso? HAHAHA. ~mentira, eu li Orgulho e Preconceito, só que acabei não gostando tanto assim~
    Mas falando de Emma: gostei de você ter tocado na rivalidade feminina, acho que é algo que eu nunca imaginaria que leria em um livro da autora, veja só. Aliás, esse elemento quase não é trabalhado nos dias de hoje, imagine na época dela... Fico m-u-i-t-o feliz por sua literatura não ser somente romântica. Ainda quero muito ler esse livro, espero consegui um exemplar até o final do ano (tem na biblioteca da faculdade, mas só em inglês e eu sou uma l-e-r-d-a para ler). Acho que Emma vai ser muito citada nesse ano, hein? Hahahaha. Vejo que gostou muito dela, acho bom *-*

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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