5 de dez de 2015

Sobre o que escrevo #3: Personagens bissexuais

Antes de começar essa postagem, eu gostaria de trazer a definição de Robyn Ochs, ativista pelos direitos das pessoas bissexuais:
I call myself bisexual because I acknowledge that I have in myself the potential to be attracted – romantically and/or sexually – to people of more than one sex and/or gender, not necessarily at the same time, not necessarily in the same way, and not necessarily to the same degree.

 Quando comecei a pesquisar a fundo as questões da bissexualidade, acabei encontrando essa definição que, para mim, é uma das mais redondas sobre o assunto. Robyn conseguiu agregar em suas palavras vários aspectos sobre o assunto, abrindo um leque incrível e amplo sobre o significado de ser bissexual.

Descobri outras coisas nessa estrada e, infelizmente, elas são mais dolorosas: bissexuais não são reconhecidos por muita gente como uma sexualidade válida. São acusados de serem confusos, de terem medo de "sair do armário", de serem promíscuos e vetores de doenças sexualmente transmissíveis, entre outras coisas desagradáveis. Falas que são constantemente repetidas de tal forma que se causa uma opressão nesse grupo tão negligenciado. 

E isso se reflete com força nas representações culturais por aí. Muitas vezes a bissexualidade é invisibilizada, como se não existisse. Personagens claramente bissexuais são colocados em caixinhas de confusão ou encaixadas em um aspecto que não o bissexual, como se não configurasse uma "alternativa válida". A palavra com b raramente é utilizada. 
Isso quando não são usados estereótipos completamente danosos, que dificultam a representatividade dessas pessoas culturalmente falando (Glee, estou olhando para você). 

A descoberta de que eu queria escrever sobre personagens bissexuais ocorreu enquanto eu escrevia Reescrevendo Sonhos, meu primeiro livro. Na verdade esse era apenas um detalhe de uma das personagens principais da trama e que cumpria uma certa função para mim, para o que eu desejava fazer na história. No entanto, o crescimento da personagem e minhas reflexões sobre a bissexualidade fizeram com que isso tornasse outro vulto, tanto por fatores internos quanto pela vontade que surgiu em produzir materiais que fossem reais e representativos. Espero poder cumprir com essa missão que deleguei a mim mesma, contribuindo com mais um tijolinho para essa construção cultural e representativa. 

E então, o que acharam? Que personagens bissexuais vocês conhecem?

6 comentários:

  1. Oi Marcia, tudo bem? Adorei a postagem. Menina, eu não lembro de nenhum personagem bi que eu conheça :P
    Na verdade, eu não conheço pessoalmente uma pessoa que seja bi - pelo menos que eu saiba.
    Por isso esse tipo de postagem é tão importante. Infelizmente, falta muita representatividade na nossa literatura. Mas confesso, que eu não se sinto apta para escrever sobre. Pois como eu disse, não tenho conhecimento real e palpável sobre. Sei que existe pesquisa para isso. Mas sou super pé atrás com isso. Já cansei de ler livros sobre suicídio, depressão, problemas alimentares ou afins, escrito de uma forma que não representa a realidade. E eu me sinto terrivelmente ofendida com isso. Tão ofendida que fico com medo de fazer ao mesmo, retratando um assunto que não faz parte da minha realidade :(
    Tenho um conto gay e quando o escrevi, morri de medo de ter sido vazia, mas acho que a forma como foi escrito, coube bem a história. Lembrei do conto da Mari agora. Acredita que ele me pegou de surpresa? É tão raro a gente ver isso, que sem querer, é surpreendido
    Beijooos
    http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

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    1. Gih, não é só vc, acredite. E ainda tem o caso de personagens que poderiam ser bissexuais mas, pela falta de uso da terminologia, não são lidos como tal. Eu me coloco a escrever pq sinto a falta de representatividade devida, principalmente por ser bi.

      Cara, super entendo e até aprecio sua cautela. Acho que temos que escrever coisas e tal, mas temos que nos colocarmos em um patamar de sentir conforto. Mas olha, ler bastante sobre e pesquisa e arriscar ajuda, viu?

      Vc escreveu um conto homo? Quero ler <3

      Hahaha falei pra ela da sua surpresa.

      Obrigada pelo comentário <3

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  2. Não lembro de ter lido sobre nenhum personagem assumidamente bissexual até agora. Só o que vejo são indícios "por trás dos panos", como é o caso de Cersei e Daenerys em Game of Thrones.
    E é exatamente como a GIH falou: ao mesmo tempo em que o autor tem um poder enorme de destruir preconceitos e trazer representatividade (e deve fazer uso desse poder sempre que possível e cabível na história), é também um enorme desafio ter empatia o suficiente para se colocar no lugar de alguém que vive em outra realidade, de entender suas angústias, suas conquistas. Tem que ter no mínimo uma boa pesquisa...
    Mas acredito que, escrevendo de coração e procurando feedback, mesmo os pequenos erros tornam-se irrelevantes. Acho que vale a tentativa sempre ;)

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    1. Desses personagens bi agentes secretos tem bastante, mas é justamente esse o problema, não usar a bendita palavra com b. Mas olha, estamos num bom caminho, já temos obras como HTGAWM que estão trazendo ótima representatividade. Tenho boas expectativas daqui pra frente.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Oi, Marcia, só agora tô tendo tempo (de qualidade) para poder ler esse post lindo, como sempre. Também fico bem irritada quando o criador de determinada obra ficcional não usa a palavrinha com "B" para caracterizar determinado personagem que sente atração pelos dois gêneros. Pelo o que vejo no dia a dia, percebo que é mais difícil ser bi do que homo, pois é uma orientação sexual que muitas pessoas não consideram válida, mas é claro que muitas pessoas pensam assim da homo, no entanto o preconceito está na própria comunidade LGBT. É por isso que precisamos de mais personagens bissexuais, representatividade é tudo.

    Amo a Emmy de faking it e a forma que estão tratando a sua descoberta é ótima. Só eu que torcia pro romance entre Ammy e Reagan dar certo? Acho que sou a diferentona mesmo rs. Pena que depois descobrimos que a Reagan é um pouco (pouquinho) cretina. Karma é uma cuzon@! E eu amo a Bárbara de Reescrevendo Sonhos, você sabe <3

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