29 de nov de 2015

Valorização da profissão de escrita



Estou desde 2013 no caminho profissional em minha carreira de escritora. É um tempo relativamente curto, quando paro para pensar, mas considero que vivi um número considerável de experiências.

Dentre as várias experiências, esses dias me peguei pensando nas questões de valorização de quem escreve. A verdade é que temos de encarar uma triste realidade: os escritores profissionais, com poucas exceções, são desvalorizados pelo mercado. A menos que sua obra seja vista como algo extremamente vendável - e não estamos falando em qualidade e empenho do profissional -, ou que seu nome tenha uma força inegável, as chances de uma promoção adequada de seu livro são quase nulas.
Além disso, um escritor publicado ganha cerca de 10% do valor de sua capa. Mesmo quando consideramos que a editora fica responsável pela capa, diagramação, catalogação, impressão e distribuição (partindo do princípio que isso seja feito de modo competente), os 10% sobre um trabalho intelectual e que pode consumir anos de dedicação, pesquisa, escrita, revisão e aprimoramento. O trabalho de escritor acaba sendo recompensado com troco de bala.
Não é só uma questão financeira, que fique bem claro, mas de dar o valor que o profissional merece. Os recebimentos acabam se tornando um medidor, por proporcionar que o autor ou a autora possam investir mais, melhorar sua formação e até conseguir se sustentar com seus rendimentos. Isso incentiva aquele que quer seguir por essa carreira. Falo isso por experiência: é muito difícil ter de buscar estabilidade em uma profissão “mais certa” (no meu caso sou professora concursada pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) e dividir seu tempo entre os dois trabalhos. Por mais que eu ame a escrita e a educação, em muitos momentos tenho que priorizar um ou outro. E essa é a realidade de muitos escritores e escritoras profissionais no Brasil.
Eis algo com o que nós, profissionais da escrita, precisamos lidar e lutar contra. E como podemos começar essa batalha: reconhecendo nosso próprio valor.
Isso é algo que aprendi com o tempo a reconhecer em mim mesma. Não é fácil, especialmente quando se considera que artistas costumam ter um desequilíbrio sério em sua autoestima, sendo para baixo ou para cima (no meu caso, a primeira opção). Mas hoje, mesmo quando minha confiança sofre abalos consideráveis, sempre consigo dar dois passos para trás e ver não só meu talento, como meu profissionalismo e dedicação.
A grande questão que coloco nesse texto é a seguinte: a valorização precisa começar por nós mesmos. Sabemos o que podemos, do que somos capazes e a qualidade de nosso trabalho. Muitas vezes somos as únicas pessoas a poder reconhecer isso e impor que os outros enxerguem nossos esforços e dedicação, escolhendo o que é melhor para nossa carreira. Somente quando começarmos a nos dar o devido valor é que poderemos lutar e melhorar nossa situação no mercado literário atual.


Originalmente publicado dia 14/11/2015

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