29 de nov de 2015

Campanha #primeiroassedio, Eduardo Cunha e ENEM nos mostram que o feminismo ainda é necessário



O tempo tem sido bem curto ultimamente, então tive que me limitar a apenas observar todas as agitações referentes ao feminismo na semana passada. Meus dedos estavam coçando para escrever alguma coisa. Tive que esperar até hoje para poder me manifestar.

De início, já preciso dizer: tudo mostra que o feminismo continua sendo necessário e relevante.
Afirmo isso sem medo. A temida palavra com f continua sendo demonizada e temida como se fosse capaz de antecipar o apocalipse. No entanto, quando olhamos para as lutas que ainda precisam ser travadas, é essencial que o feminismo seja visto como um modo de derrubar as barreiras colocadas pelo mundo ao redor das mulheres. São discussões que precisam ser feitas e levadas as sério.
O caso da competidora do Masterchef Junior é uma prova efetiva dessa necessidade. Caso que trás a discussão sobre a objetificação imposta às mulheres desde que são muito novas. Afinal, Valentina não é exceção, apenas o exemplo mais público do que vemos com uma frequência assustadora.
Por isso mesmo a campanha do Think Olga foi tão necessária. Foi possível mostrar, não só com números, mas com histórias de cortar o coração, como o assédio precoce faz parte da vida e das lembranças mais assustadoras da maioria das mulheres. Não bastasse o medo de andar pelas ruas sem saber o que pode acontecer, somos expostas ao olhar malicioso masculino desde o momento em que sequer temos idade para entender o que é isso. Reduzidas a objetos de excitação dos homens, principalmente aqueles que deveriam inspirar confiança e não temor. Não é piada, e sim assunto sério (ao contrário do que algumas pessoas pensam, como o Roger do Ultraje a Rigor). Até quando a sociedade continuará impondo o constante medo às mulheres?
As manifestações contra a PL 5069/13 do deputado Eduardo Cunha mostra bem isso. O líder da Câmara dos Deputados deixou bem claro, desde que entrou na presidência da casa, que passaria por cima dos diretos das mulheres. A PL 5069 é mais um ataque direto, que quer minar os únicos direitos conquistados com tanta luta.
Mas as mulheres mostraram que não ficarão caladas. As manifestações que já ocorreram e ainda ocorreram são a prova de que estamos empoderadas e cientes dos direitos adquiridos e do que ainda precisamos conquistar.
E o que empodera essas mulheres? O feminismo.
O conhecimento liberta, e o que estamos vendo nos últimos tempos é que a disseminação do feminismo só tem colaborado para que as mulheres entendam cada vez mais a opressão que sofrem e como lutar contra. Até por isso é importante que tenhamos esse tipo de reflexão no ENEM, para mostrar como as pautas do feminismo precisam ser discutidas.
Então é necessário que a gente continue a puxar o debate. Ainda que tenha gente que acha que é piada ou que tente desmerecer as discussões, o fato é que cada vez mais vemos mulheres tomando posse de seus direitos. E só assim poderemos avançar.

Originalmente publicado dia 30/10/2015

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